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Inter vê ‘soberba’ do rival como combustível para decisão no Beira-Rio

Após 3 a 0 na Arena, discurso colorado mistura indignação e promessa de resposta para o clássico decisivo

Inter vê ‘soberba’ do rival como combustível para decisão no Beira-Rio
Foto: Fabiano do Amaral

Derrotado por 3 a 0 no primeiro clássico decisivo do Gauchão, na Arena, o Inter volta para casa com uma tarefa pesada para o próximo domingo, no Beira-Rio. Mas, em meio ao placar adverso, o discurso colorado se agarra a um elemento específico do confronto: o que considerou “soberba” do lado gremista, traduzida, segundo os próprios protagonistas, em “driblezinhos” e lances de efeito após a construção da vantagem. Outro ponto em que se baseia o sonho de reação está alicerçado no desempenho da arbitragem na Arena, que, segundo os colorados, favoreceu o rival em lances capitais.

A leitura do Inter, externada após o apito final, mistura indignação, autocrítica e um certo combustível emocional para o segundo confronto. A missão é tirar três gols de diferença diante do seu torcedor. Mas, internamente, o discurso é de que o comportamento gremista pode ter aberto uma fresta de esperança.

A irritação ficou clara nas entrevistas. O técnico Paulo Pezzolano não escondeu que anotou cada toque a mais do rival depois do terceiro gol. “Gostei que fizeram driblezinhos depois do terceiro gol. Essa semana já não vou viver. Só vou pensar no jogo. Queria que fosse agora”, afirmou Pezzolano.

Para o treinador, a atuação do seu time foi “atípica”, mas também sofreu influência de fatores externos, principalmente da arbitragem. Ele reclamou, especialmente, de um lance aos 12 minutos do primeiro tempo, quando o clássico ainda estava 0 a 0, no qual Arthur acerta o cotovelo no rosto de Borré.

O diretor técnico Abel Braga reforçou o incômodo ao mencionar lances considerados desnecessários. “Não falta trabalho e por isso eu quero o torcedor domingo. Nós vamos conseguir? Queria eu poder afirmar, não posso porque é futebol, mas não vai ser assim como foi hoje, com jogador do Grêmio querendo dar passe de letra”, disse.

A crítica ao “passe de letra” de Amuzu virou símbolo do sentimento interno de que o adversário, ao se ver confortável no placar, exagerou na confiança. E é justamente aí que o Inter tenta encontrar combustível para a volta. No vestiário, Abel tratou de lembrar que o cenário já foi diferente recentemente. “Cheguei e falei: ‘só quero que vocês sejam vocês. Nós já fizemos quatro gols neles’. É assim que tem que reagir. Já estou ansioso para que chegue logo domingo”, afirmou Abel Braga.

Capitão da equipe, Alan Patrick foi ainda mais direto. “Pareceu em alguns momentos que houve soberba (por parte do Grêmio). Precisamos absorver isso e manter a tranquilidade para que esses episódios não nos afetem”, avaliou.

Com três gols de desvantagem, o Inter precisa de uma atuação quase perfeita para reverter o quadro. Internamente, porém, a narrativa já está construída: se houve excesso de confiança do outro lado, ele pode se transformar em combustível no Beira-Rio. Entre a matemática difícil e o discurso inflamado, os colorados se agarram à ideia de que, no futebol, “driblezinho” fora de hora, às vezes, cobra seu preço.

Mas, de certa forma contrariando o discurso, os jogadores ganharam folga após o Gre-Nal e só voltam ao trabalho nesta quarta-feira.


Fonte: Correio do Povo