Recuperação da ferrovia entre Muçum e Vespasiano Corrêa chega a 40%
Trecho de 18 km tem prazo de recuperação até outubro; carros de passageiro devem chegar ao Vale do Taquari em dezembro
A recuperação da ferrovia entre Muçum e Vespasiano Corrêa atingiu 40% do trecho de 18 quilômetros. Os dados foram apresentados hoje, 17, durante coletiva de imprensa promovida pela Associação dos Municípios de Turismo do Vale do Taquari (Amturvales) e pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) na estação ferroviária de Muçum.
Segundo o diretor executivo da ABPF, Marlon Ilg, o índice de 40% corresponde à remoção das barreiras de infraestrutura que impediam o acesso ao trecho. Com locomotiva, a circulação já é possível em 20% da extensão. “É importante salientar que nós conseguimos acessar esses 40% com o veículo de inspeção, não é 40% do trajeto que já está disponível para ser utilizado. Com a locomotiva a gente já está andando 20%, que é onde a gente já fez a revisão da linha”, explicou Ilg.
Entre os dois percentuais, há um aterro que cedeu próximo à linha e precisa ser recomposto antes que veículos pesados possam trafegar. As obras de recomposição estão programadas para a segunda semana de julho. Com a conclusão desse serviço, a expectativa é alcançar 50% do trecho (ponto em que a Rumo Logística realizou a recuperação de um viaduto deslocado pelas enchentes e onde será necessária nova intervenção na via.
Prazo até outubro
O cronograma prevê a conclusão total do trecho até o final de outubro, prazo estabelecido por termo de fomento que determina seis meses para a recuperação. Ilg ressalvou que condições climáticas adversas podem levar a uma solicitação de prorrogação, mas reafirmou a previsão como realista.
Com a linha concluída, a etapa seguinte será a manutenção mais fina necessária para a circulação do trem de passageiros. A previsão é que os carros de passageiro cheguem ao Vale do Taquari em dezembro.
O retorno do Trem dos Vales é aguardado com expectativa pela região. O presidente da Amturvales, Rafael Fontana, destacou durante a coletiva que a ferrovia influencia mais de 350 empreendimentos e está ligada diretamente a mais de 2 mil postos de trabalho.
Planos de expansão
Além da recuperação do trecho imediato, a ABPF sinaliza interesse em expandir a malha ferroviária danificada pós enchentes. Ilg mencionou a possibilidade de avançar em direção a municípios como Roca Sales, Colinas, Santa Tereza e Guaporé.
“Se conseguirmos angariar fundos, é possível ligar uma boa parte da malha ferroviária”, disse o diretor, acrescentando que a entidade já realiza vistorias nos trechos para dimensionar custos e formular propostas ao poder público. O dirigente pontuou, no entanto, que a prioridade no momento é concluir o projeto em andamento. “Primeiro temos que recuperar a ferrovia, depois disso finalizado é possível pensar em expandir o projeto do Trem dos Vales e definir o que ainda pode ser feito pela região”, concluiu.
Fonte: Grupo A Hora