Pedágio pode duplicar preço, sem entrega de obras, alerta prefeito de Encantado
Calvi aponta entraves logísticos: "Hoje, motorista demora mais tempo para se deslocar de Encantado a Lajeado do que de Lajeado a Porto Alegre"
Em entrevista na manhã desta quarta-feira, 1º, ao programa Frente e Verso, da Rádio A Hora 102.9, direto do estúdio avançado em Encantado, o prefeito Jonas Calvi faz um alerta preocupante sobre a situação das rodovias e a cobrança de pedágios na região. Segundo o chefe do Executivo municipal, o valor hoje pago pelos motoristas no pedágio de Encantado só se mantém no patamar atual devido a uma ação judicial.
Calvi pontua que a liminar pode cair a qualquer momento. Caso isso ocorra, a tarifa poderia quase duplicar de valor de forma imediata, mas sem a contrapartida de melhorias na infraestrutura. “O que a gente fica indignado é que vamos pagar quase o dobro de pedágio sem obras, sem nada”, desabafou o prefeito durante a transmissão.
Gargalos Logísticos e Mobilidade
O prefeito utilizou um dado comparativo para ilustrar o “estrangulamento” logístico da região: hoje, um motorista demora mais tempo para se deslocar de Encantado a Lajeado do que de Lajeado a Porto Alegre. Ele lamentou a falta de terceiras faixas e de duplicação na ERS-130, a principal rodovia de escoamento, enquanto estradas secundárias recebem intervenções.
Para Jonas Calvi, o fracasso do leilão da concessão do Bloco 2, ocorrido em junho, não deve ser motivo de comemoração. Ele ressaltou que a falta de um contrato de concessão deixa a região sem obras cruciais que estavam previstas, como os viadutos da Santa Clara, do Trevo do Risto e do Trevo do Peteba, além da própria duplicação.
Jonas Calvi, prefeito de Encantado (Foto: Diogo Fedrizzi)
Pressão Política e Redes Sociais
A entrevista também abordou o desgaste das lideranças regionais frente aos ataques em redes sociais e ao que o prefeito chamou de “nuvens fakes” e discussões “politiqueiras”. Calvi afirmou que muitas lideranças e empresários recuaram do debate para evitar a exposição e os ataques virtuais, o que prejudica a apresentação de dados técnicos e informações concretas sobre as necessidades locais.
O Futuro dos Investimentos
Apesar do impasse, o prefeito reafirmou que as articulações entre os gestores municipais e o governo do Estado continuam para garantir que o aporte de R$ 1,5 bilhão do Funrigs (Fundo do Plano Rio Grande) seja efetivamente aplicado na região.
A prioridade defendida é a duplicação dos trechos entre Encantado, Lajeado e Venâncio Aires, além da pavimentação da Rota do Pão e Vinho, considerada vital para conectar o Vale do Taquari à Serra Gaúcha.
Enquanto o governo estadual reavalia a modelagem da concessão para tentar um novo leilão ainda em 2026, a oposição na Assembleia Legislativa mantém a pressão para que o Estado realize as obras de forma direta, utilizando os recursos do fundo público. Para Calvi, independentemente do modelo, a região não pode mais esperar: “Não temos mais essa possibilidade de ficar trancando a nossa principal rodovia”.
Fonte: Grupo A Hora