Juninho de centroavante expõe as limitações do Inter antes dos Gre-Nais
Sem vencer há oito rodadas no Brasileirão, Colorado chega aos clássicos da Copa do Brasil com poucas alternativas ofensivas e a esperança de que os reforços recém-chegados possam mudar o cenário
Aos 45 minutos do segundo tempo, com o placar ainda zerado diante do Atlético-MG e o Inter perigosamente próximo da zona de rebaixamento, Paulo Pezzolano tomou uma decisão que resumiu bem as dificuldades do elenco colorado. Chamou Juninho do banco e mandou o zagueiro para o campo. Só que não para reforçar a defesa: o jogador virou centroavante.
A escolha, ainda que planejada para os minutos finais, escancarou a escassez de alternativas ofensivas à disposição do treinador. Alerrandro, centroavante de origem, estava no banco, mas não foi acionado. Restou ao uruguaio recorrer a um defensor para tentar ganhar presença na área e explorar as bolas aéreas. Pezzolano tratou de explicar a decisão. Segundo ele, Juninho já havia desempenhado essa função nos treinamentos e vinha sendo preparado justamente para situações semelhantes.
“Em muitos treinos, o Juninho já trabalhou assim, já havíamos preparado ele para situações assim, nos últimos minutos, por causa da bola aérea. O objetivo era esse. E faltavam três ou quatro minutos... Não era para jogar muito tempo assim”, justificou. A explicação não muda, contudo, o retrato de um grupo que encontra dificuldades para produzir no ataque.
O empate com o Atlético-MG ampliou para oito partidas a sequência sem vitória no Brasileirão e manteve o time em situação delicada. Agora, o campeonato nacional dá uma pausa para o Inter se concentrar naquilo que pode mudar o ambiente: os dois Gre-Nais das quartas de final da Copa do Brasil.
O primeiro será na próxima quinta-feira, no Beira-Rio. Uma semana depois, o clássico será disputado na Arena. Pezzolano até poderá promover alterações na equipe, mas o problema é encontrar quem colocar em campo, já que a escassez de opções é especialmente evidente no ataque.
Na última semana, a direção tentou atacar justamente essa carência. Niclas Eliasson foi contratado e entrou nos minutos finais contra o Galo, mas teve pouco tempo para dar algum tipo de contribuição efetiva. Antonio Sanabria, por sua vez, já treina no CT Parque Gigante e trabalha para recuperar a melhor condição física.
Apresentado na semana passada, o paraguaio afirmou que faria esforço para estar à disposição no Gre-Nal. É improvável que tenha condições de começar o clássico como titular, mas, se alcançar um nível físico mínimo, deverá ser relacionado e poderá representar uma alternativa para Pezzolano tanto no Beira-Rio quanto na Arena.
A chegada dos dois atacantes ocorre em um momento em que o treinador reconhece a principal deficiência do time. Depois de mais um jogo sem balançar as redes, Pezzolano procurou manter o discurso de confiança. “Somos um time muito competitivo e consciente de que está faltando o gol, do que nos jogamos. Sem dúvida acreditamos que podemos melhorar", afirmou ele, no sábado à noite.
O problema é que, enquanto essa melhora não aparece, o Inter precisa encontrar soluções com o que tem. E, no último sábado, uma delas foi colocar um zagueiro como centroavante. Para os dois Gre-Nais que se aproximam, a torcida colorada espera que Sanabria esteja em condições de jogar, até porque transformar Juninho em homem de referência dentro da área pode até funcionar por alguns minutos, mas não parece ser um plano para duas noites de clássico.
Fonte: Correio do Povo