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Vale busca garantir verba antes da troca de governo

Prefeitos, representantes do setor produtivo e o deputado eleito Roberto Lucchese debatem obras e pedido conjunto ao governo Leite. Intuito é definir a estratégia regional para que recursos do Funrigs sejam aplicados em infraestrutura viária

Vale busca garantir verba antes da troca de governo
Foto: Filipe Faleiro

Garantir os recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) para duplicações nas rodovias do Vale do Taquari antes da troca de governo. Esse é o objetivo da articulação entre entidades regionais e o deputado estadual eleito Roberto Lucchese (MDB).


O encontro está marcado para a noite de hoje e busca definir uma posição conjunta sobre a estratégia para garantir que os R$ 1,5 bilhão previstos para o Bloco 2 das concessões sejam aplicados em obras de infraestrutura do Vale.


Em um primeiro momento, a ideia mais próxima de ser viável retoma a alternativa de realizar as obras pela Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR). O levantamento inicial previa R$ 610,5 milhões para duplicar a ligação entre Venâncio Aires e Arroio do Meio e R$ 189,4 milhões para a Via Láctea, entre Teutônia e Fazenda Vilanova, eixo das rodovias estaduais até a BR-386.


Em conversas com o diretor-presidente da EGR, Luís Fernando Vanacor, foi solicitado acrescentar o trecho de Arroio do Meio a Encantado. Neste caso, seriam acrescentados R$ 336 milhões. As três frentes somam cerca de R$ 1,14 bilhão.


Com a definição das prioridades, o movimento pretende buscar uma audiência com o governador Eduardo Leite e encaminhar a aplicação de parte do dinheiro ainda nesta gestão. Uma das possibilidades em discussão é destinar o aporte a um fundo da EGR, vinculando os recursos às intervenções para ampliar a capacidade de tráfego.


A mobilização visa incluir diversos segmentos da sociedade regional organizada. Estão confirmadas representações da Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari (CIC-VT), de associações comerciais, das associações dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat) e do Alto Taquari (Amat) e do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), entre outras.


Os R$ 1,5 bilhão foram previstos para incentivar investimentos e garantir obras de resiliência no Bloco 2. O conjunto abrange 409 quilômetros de rodovias em 32 municípios dos vales do Taquari e do Rio Pardo e do Norte gaúcho. Não há uma parcela reservada apenas ao Vale.


Compromisso antes da transição

A busca por uma posição regional ocorre após o governador Eduardo Leite deixar os encaminhamentos da concessão para a próxima administração. Para os líderes locais, a mudança no modelo abre espaço para negociar as obras com recursos públicos, sem aguardar uma nova proposta de transferência das estradas à iniciativa privada.


O risco apontado pelo movimento é a divisão do aporte em intervenções dispersas, sem assegurar as duplicações. “O que não podemos é ficar sem obras. É ver esses R$ 1,5 bilhão serem usados em um monte de pequenas intervenções por todo o Estado”, destaca Roberto Lucchese.


O deputado eleito antecipou a reivindicação em reunião com o futuro governador, Luciano Zucco. O argumento apresentado relaciona a aplicação do fundo aos danos provocados pelas enchentes e à necessidade de recuperar a infraestrutura regional. “Sabemos que o Norte precisa de melhorias nas rodovias, mas eles não tiveram prejuízos devido ao episódio climático extremo. Então, o lógico seria aplicar na nossa região. Esse foi o propósito do próprio fundo”.


Defesa regional

A reunião de hoje dá sequência às manifestações de prefeitos e representantes empresariais sobre a necessidade de preservar o investimento. A prefeita de Estrela, Carine Schwingel, apontou a necessidade de conciliar as reivindicações municipais.


O integrante do Conselho do Plano Rio Grande e vice-presidente de Infraestrutura da Acil, Nilto Scapin também alerta para a disputa pelo dinheiro. “Teremos que batalhar muito por isso. Outras regiões também têm suas necessidades.”


Plano ampliado

A alternativa de obras sob responsabilidade da EGR integrava as discussões sobre o futuro das rodovias no início do ano. Em março, o A Hora apresentou o levantamento de intervenções que poderiam receber os recursos públicos previstos para viabilizar a concessão (confira ao lado).


Naquele desenho, a duplicação pelas rodovias RSC-453 e ERS-130 abrangia 43,1 quilômetros entre Venâncio Aires e Arroio do Meio. O custo estimado era de R$ 610,5 milhões. O plano previa chegar até Palmas, sem contemplar toda a ligação até Encantado.


O pedido de ampliação do estudo acrescenta esse trecho à negociação. Com os R$ 336 milhões estimados para a continuidade, o investimento no eixo Venâncio Aires a Encantado chega a aproximadamente R$ 946,5 milhões.


A segunda frente é a ERS-128, a Via Láctea. São 16,3 quilômetros entre Teutônia e Fazenda Vilanova, conectando a Rota do Sol à BR-386, com custo estimado de R$ 189,4 milhões. Esse percurso é diferente da ligação entre Estrela e Teutônia pela RSC-453, também reivindicada por líderes regionais.


Somadas, as três intervenções representam cerca de 76% do aporte de R$ 1,5 bilhão. Os valores são estimativas para orientar a negociação e não correspondem a obras contratadas.


Trechos em debate

Primeira versão

Venâncio Aires a Arroio do Meio

Rodovias: RSC-453 e ERS-130.

Extensão: 43,1 quilômetros.

Intervenção: duplicação, com chegada até Palmas.

Estimativa: R$ 610,5 milhões.


Acréscimo

Arroio do Meio a Encantado

Rodovia: ERS-130.

Extensão: 13,6 quilômetros.

Intervenção: duplicação.

Estimativa adicional:

R$ 336 milhões.


Versão anterior

Teutônia a Fazenda Vilanova

Rodovia: ERS-128, a Via Láctea.

Extensão: 16,3 quilômetros.

Intervenção: duplicação

da ligação entre a Rota do

Sol e a BR-386.

Estimativa: R$ 189,4 milhões.


Em debate

Estrela a Teutônia

Rodovia: RSC-453.

Extensão: 16,3 quilômetros, entre Boa União e o entroncamento com a ERS-128.

Intervenção: duplicação ou ampliação de via.

Estimativa: sem estudo prévio, o valor deste tipo de obra pode variar entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões.


Fonte: Grupo A Hora